Apesar de estar popularizando, essa caixa deixa muitas dúvidas; veja como obter o melhor rendimento, desfrutar do seu conforto e fazê-la durar mais

O carro automático deixou de ser tabu para se tornar tendência. Hoje, mais da metade das vendas de veículos 0 km são de modelos com transmissão que dispensa o pedal de embreagem. Para quem migra das caixas manuais, é preciso se adaptar. Porém, também existem dicas para o motorista usufruir melhor desse câmbio que entrega conforto e praticidade. Sim, é possível não só desfrutar da conveniência da transmissão, como também fazê-la durar mais e trabalhar melhor com o motor, o que pode resultar em economia de combustível. Confira 10 macetes para dirigir carro automático.

1. Ao ligar o motor

Antes de apertar o botão de start ou virar a chave da ignição do carro automático, não esqueça de pisar no pedal do freio. Os automóveis dotados deste tipo de transmissão simplesmente não acionam o motor se isso não for feito. É uma simples questão de segurança, para evitar que motoristas distraídos liguem o veículo engrenado em Drive ou Rear, e o mesmo se movimente inadvertidamente.

2. Com carinho

Trate com carinho a alavanca do câmbio do carro automático. Para dirigir um carro automático, evite fazer mudanças bruscas e muito rápidas na manopla, para não sobrecarregar o sistema. Para acionar as marchas, muitos modelos de transmissão automática pedem que um botão (geralmente na lateral do pomo) seja apertado, caso contrário você não consegue fazer a mudança de posição – nem pense em forçar a peça.

Antes de acelerar, certifique-se que a alavanca está na posição desejada, para evitar acidentes ou que você vire meme e seu carro atravesse uma vidraça ou o portão de uma garagem. Evite também fazer da manopla o repouso para sua mão. Esse peso extra sobre o equipamento força componentes internos, mesmo nos câmbios automáticos.

3. Não mude as marchas com o carro em movimento

Não execute as mudanças na alavanca do câmbio automático com o carro em movimento, especialmente para as posições “R” (“reverse”, marcha-a-ré) e “N” (“neutral”, neutro ou ponto morto). Ou seja, antes de fazer a manobra para estacionar, espere o veículo parar totalmente para só depois engatar a ré.

O tranco que é provocado pelo engate de marchas com o automóvel em movimento força componentes internos da caixa, o que acelera o desgaste do conjunto. Tanto que muitos modelos de carros automáticos mais modernos já têm dispositivos de segurança que bloqueiam o sistema caso o motorista tente fazer alguma mudança brusca.

4. Marchas sequenciais

Use as opções de mudanças sequenciais mais em situações específicas. Especialmente se estiver trafegando em trechos de serra, para subir e descer marchas e ter mais interação com o carro – e evitar aquelas imprecisões na subida. Ou mesmo em situações de ultrapassagens e retomadas, as quais trataremos mais adiante.

Em estradas planas ou mesmo no trânsito urbano, deixe o câmbio no modo automático mesmo. Além de ser muito mais adequado à função principal – ou seja, proporcionar conforto -, vai preservar o sistema. Desta forma, segundo engenheiros e especialistas, o conjunto roda na temperatura correta e proporciona melhor eficiência do motor.

5. Neutro, mas nem tanto

Se estiver no anda-e-para do engarrafamento ou naquela via com intermináveis semáforos a cada 50 metros, nada de colocar o câmbio em “N” (neutro) a cada parada. Tal prática não faz o carro beber menos combustível. Pior: tantas mudanças na alavanca vão acelerar o desgaste do equipamento.

Quer uma boa notícia? Os carros automáticos mais modernos, quando parados por mais de três segundos, têm um sistema no qual as válvulas do conversor de torque são abertas. Em outras palavras: é como se o carro ficasse em ponto morto automaticamente.

6. Como estacionar carro automático

Um dos macetes para dirigir carro automático diz respeito à hora de estacionar. Perceba que quando você coloca o câmbio em  “P”, o carro faz um pequeno movimento. O ideal é você acionar o freio de estacionamento antes de mudar para o “parking”. Desta forma, evita-se que todo o peso do deslocamento incida sobre o conjunto da transmissão. Quando for sair com o carro, faça o inverso. Engate o “D” para depois destravar o freio e acelerar.

Esses procedimentos são ainda mais importantes ao estacionar em ladeiras. Em subidas ou descidas, siga essa sequência para que a alavanca do câmbio automático trave na posição P devido ao peso do carro.

7. Câmbio automático: significado das letras

As caixas usualmente oferecem as posições básicas: “D” (“drive”, dirigir), “P”  (“park”,estacionar), “R” (“reverse”, marcha-a-ré) e “N” (“neutral”, neutro ou ponto morto). Mas alguns câmbios automáticos ainda têm opções como “L” (“low”, baixa) ou “3”, “2” e “1”.

São posições que fazem as vezes de freio-motor. Bom de usar em descidas de serra, pois seguram mais as marchas e as rotações, e diminuem a necessidade de usar o pedal do freio a cada curva – o que pode causar superaquecimento das pastilhas ou o fading do sistema de frenagem.

Já o modo “S” (“sport”, esportiva) muda as respostas da transmissão a cada mudança. Costuma “esticar” mais as marchas, fazendo a passada em giros mais altos – em média, cerca de 500 rpm a mais.

Importante: jamais desça uma serra ou ladeira com o carro automático em “N”. A prática sobrecarrega especialmente o sistema de frenagem, que vão ter que dar conta de segurar todo o peso do veículo sozinho.

8. Quando for ultrapassar

Nesta hora, vale sim usar as mudanças sequenciais manuais no câmbio automático. Geralmente, se precisa de mais força e agilidade para ultrapassar, e para minimizar qualquer imprecisão da transmissão, coloque a alavanca no modo sequencial, reduza uma marcha e acelere

9. Kickdown

Também muito útil em situações de ultrapassagem. É uma espécie de botão que é acionado quando se pisa fundo no pedal do acelerador. O dispositivo entende que o motorista precisa de mais força e o sistema automaticamente reduz uma ou duas marchas para aumentar a faixa de giros de trabalho do motor e entregar uma retomada mais rápida.

Esta função não é comum em todos os carros automáticos mais antigos. Contudo, em veículos mais atuais, muitas transmissões já fazem o kickdown eletronicamente, sem a necessidade desse “clique”.

10. Enguiçou, e aí?

Repare que a base da alavanca do câmbio automático geralmente traz uma plaquinha removível. Use uma chave de fenda ou a própria chave do veículo para retirar a tampa e destravar o sistema de transmissão, o que vai permitir que o automóvel seja rebocado ou empurrado. De qualquer modo, consulte o Manual do Proprietário para saber exatamente onde fica o sistema que “solta” o carro.

Pega no tranco? Apesar de muita gente jurar que carro automático pega no tranco em baixíssimas velocidades, a maioria dos engenheiros diz que isso não é possível. Com o motor desligado, o conversor de torque do sistema de câmbio não funciona, ou seja: nenhuma marcha “está engatada” para fazer o carro pegar – ao contrário do que é possível fazer com os veículos com transmissão manual ou automatizada.