Pedal duro ou muito baixo? Chiado ao parar? Luz no painel? Veja os principais sintomas de defeitos no sistema de frenagem

Quem gosta de carro já deve ter tido algum pesadelo do tipo. Você está com seu carro na descida da serra todo pimpão, curtindo as curvas para lá e para cá, quando você precisa pisar no freio e… nada! Antes mesmo de apelar para o freio motor você acorda assustado – felizmente.

Este pesadelo, para virar realidade, emite diversos sinais. São problemas que envolvem o sistema de frenagem que indicam que algum componente, fluido ou mecanismo do conjunto não está em perfeitas condições de uso. Seja no pedal, em ruídos ou mesmo em alertas no quadro de instrumentos.

Chegou a vez de falarmos desse sistema que é um dos mais importantes – senão o mais – para a segurança veicular. Confira os sinais de que o freio do carro vai dar problema.

1. Trepidação no pedal (em freadas normais)

Antes de mais nada lembre que, em carros equipados com ABS, ao pisar forte no pedal a trepidação é normal – e mostra que o sistema antitravamento está atuando. Porém se a trepidação é sentida em frenagens normais e suaves, pode ser um dos sinais de que o freio vai dar problema.

Essa vibração sentida no pedal pode ser causada por discos ou tambores empenados. Isso geralmente acontece quando estas duas peças estão muito desgastadas, ou foram instaladas fora das especificações do fabricante.

Só fique atento porque a trepidação pode ser também sintoma de problemas em outras partes do carro, como a suspensão. Ou mesmo provocada por folgas nos rolamentos das rodas.

2. Chiados ou assobios

O freio não pode parecer uma porta velha ou aquele gancho de rede sem lubrificação toda a vez que você pisa no pedal. Assobios passageiros são até normais – o próprio material usado nas pastilhas ou mesmo algum resquício de águia após uma chuva ou poça podem provocar esse chiado agudo.

Mas se ao frear o canto parece infinito como aquele passarinho que resolve ficar feliz às seis da matina, aí corre para a oficina. O chiado pode indicar que as pastilhas já estão no fim da vida útil. Pior: no processo de frenagem, ao encostar acabam, por “mastigar” os discos e danificá-los.

Se nada for feito, esse ruído fino pode se tornar um som mais grave, como se algo estivesse se arrastando nas rodas ao frear. Aí é sinal de que as pastilhas já eram e que elas estão ferro com ferro nos discos.

3. Pedal “muxibento”

Sabe quando o pedal parece frouxo, não transmite firmeza e não tem aquela resistência normal? É o que se chama de “muxibento”, mas esse é um problema simples de ser resolvido – e geralmente de orçamento baixo.

O pedal normalmente fica assim quando há muito ar misturado ao fluido do sistema. Leve o automóvel na oficina para fazer a chamada “sangria”, que consiste em tirar o ar que ficou no circuito hidráulico do freio.

A operação é realmente simples. O mecânico abre uma porca específica do sistema, enquanto outra pessoa pisa no pedal repetidas vezes até que o ar seja eliminado por completo. Depois, é só fechar a peça novamente e o pedal volta ao normal.

4. Pedal duro

Aqui é quando o pedal está tão duro que você tem até dificuldades para parar o carro. Isso é um dos claros sinais de que o freio vai dar problema e que o hidrovácuo não está em seu pleno funcionamento. O componente tem como função principal, justamente, deixar o pedal mais leve.

Outro motivo para esta rigidez excessiva do pedal pode estar na própria qualidade dos materiais usados nas pastilhas de freio que equipam o veículo. Ou, mais raro, no vazamento do diafragma do servo-freio.

5. Pedal muito baixo

No outro extremo temos aquela situação que o pedal está mole e baixo demais – você tem que pisar até o talo e o carro ainda demora a parar. Há três causas principais e possíveis para este “sintoma” do sistema de frenagem.

O primeiro é que os componentes do freio podem estar muito desgastados (como as lonas), ou haver uma folga excessiva entre o pedal e a haste. Outra possibilidade mais grave é de ocorrer vazamento do fluido do freio. A causa mais simples seria uma falta de regulagem do freio traseiro.

6. Luz no painel

Qualquer luz diferente no quadro de instrumentos precisa ser checada. O símbolo com uma exclamação dentro de um círculo aceso no painel indica alguma anomalia no sistema de frenagem.

Pode ser falta de fluido – assunto que trataremos adiante – ou desgaste excessivo das pastilhas. Porém, pode ser uma coisa simples também, já que se o freio de mão não estiver totalmente baixado, a luz fica acesa.

7. Carro puxando quando o freio é acionado

O veículo que puxa mais para um lado não necessariamente é um dos sinais de que o freio vai dar problema. Tal “fenômeno” pode significar que o carro precisa de um alinhamento da direção ou mesmo que um dos pneus da frente pode estar descalibrado.

Porém, se dentro destes aspectos o veículo estiver em ordem, é bom verificar o sistema de frenagem. Carro que puxa para um lado quando o motorista freia pode significar um desequilíbrio no conjunto, com o freio de uma das rodas atuando com maior ou menor intensidade que o das demais.

Os motivos podem ir desde pistões engripados por sujeira ou corrosão até problemas nas pinças. Discos empenados também podem ocasionar essa “puxada”.

8. Rodas tentando travar

O fato de o carro não ter ABS não significa que a roda pode travar a qualquer freada. Se em paradas leves você notar que tem uma ou mais rodas com indícios de que vão travar é sintoma de problemas mecânicos ou hidráulicos no conjunto. Leve o carro logo à oficina.

9. ABS atuando freadas leves

Em geral, o sistema ABS que evita o travamento das rodas entra em ação em freadas muito fortes e bruscas. Mas se em freadas leves e moderadas o pedal passar aquela trepidação de que o ABS foi acionado, é importante checar onde está o problema.

A causa pode ser um defeito no corretor de frenagem, que acaba por gerar uma pressão desregulada (excessiva) de frenagem no eixo traseiro. O ABS, então, entende que uma roda está desacelerando mais do que as outras e entra em ação para evitar o bloqueio das mesmas.

10. Nível do fluido

O fluido do freio tem duas funções principais. O líquido (sintético ou semi-sintético) atua na linha hidráulica e aciona as pastilhas de freio para fazer o carro frear, além de lubrificar o sistema e evitar a corrosão das peças.

Por esta razão, o produto deve ser trocado de acordo com as recomendações do fabricante do veículo. Importante: se a luz do freio do painel estiver acesa e indicar que o nível do fluido está baixo, jamais complete. O lubrificante deve ser totalmente trocado.

Bônus: Fading

Sabe aquele pesadelo que contei no início desta matéria? Pois é, em situações de descida de serra pode ocorrer um fenômeno muito perigoso para a segurança. É o chamado fading – ou fadiga, se preferir.

O problema acontece quando a pastilha e o disco superaquecem. Desta forma, o coeficiente de atrito entre as peças diminui e o sistema não consegue gerar força de frenagem. O fading ocorre geralmente quando o motorista pisa no freio por longos períodos e antes de entrar nas curvas.

O efeito é sentido imediatamente no “pé”. O condutor pisa, o pedal estanca mas o carro não desacelera. Se isso acontecer, use o freio-motor, ou seja, reduza as marchas para diminuir a velocidade e encoste no acostamento imediatamente, até que o sistema resfrie e se regenere.

Mas é simples evitar o fading e o pesadelo do escriba aqui. Dê preferência ao freio-motor em descidas de serra, com a redução de marchas sequenciais no trajeto em vez de usar o pedal a toda hora.

A dica é usar sempre a marcha que seria utilizada em subidas de igual inclinação. Também é possível fazer reduções em carros com câmbio automático com mudanças sequenciais ou marchas baixas, como “3”, “2”, “1” e “L”.

Nada de descer em ponto-morto, que, além de sacrificar os freios e deixar o carro “solto” – sem tracionamento -, não faz você economizar combustível. Respeitar a carga útil e fazer a troca do fluido de freio nos prazos corretos também podem prevenir o fading.